No andar de baixo, Vane descobriu que havia trabalho de casa a ser feito.
Arrumar uma casa nunca tinha sido sua responsabilidade, ela pensou com pesar enquanto limpava a lareira e depois a acendia, antes de tirar o pó da sala. Sempre cuidara de seu quarto na escola e em Manor, claro, mas sempre houvera a eficiência dos empregados por trás.
Mas neste chalé não havia ajuda. Tudo dependia dela, e estava determinada, quaisquer que fossem seus fracassos privados como mulher, a fazer um bom trabalho.
Ela olhou para o relógio. Já era quase meio-dia. Esquentaria o frango para o almoço. Ou faria um café, ela pensou, olhando para as escadas. E talvez torradas. Mas não levaria na cama para ele. Não haveria serviço de quarto no que Zac considerava uma lua-de-mel.
Encheu a chaleira e estava pegando as canecas quando ouviu um barulho na porta da frente.
Ela abriu e viu Angus McEwen.
- Olá - ele cumprimentou-a com o sorriso largo. - Vim para saber se está tudo bem.
- Você caminhou até aqui com toda essa neve? - Vane forçou um sorriso. - Incrivelmente gentil da 1 sua parte.
- Oh, não está tão ruim assim. - Ele fez uma pausa. - Você sabia que alguém deixou um carro aqui?
- Eu trouxe do aeroporto ontem à noite. - A voz de Zac veio por trás dela.
Vane não tinha escutado o ruído das escadas.
A expressão de Angus era cômica. Mas ela não teve vontade de rir. Ficou tenso quando Zac veio a seu lado e colocou o braço em volta dela, a mão descansando na cintura em um gesto de posse.
Ele não estava vestido. A não ser que se considerasse o roupão que usava como roupa.
- Buon giorno. Podemos ajudar você em alguma coisa?
Angus abriu a boca, tentou falar, não conseguiu, e começou novamente.
- Sin-sinto muito. Eu... eu não tive a intenção de me intrometer, mas achei que... que a srta. Hudgens estivessse aqui sozinha.
- Eram os planos originais dela - disse Zac. - Mas decidi fazer uma surpresa.
- Angus, este é meu marido, o conde Efron. - Ela fez uma pausa para que ele assimilasse o que disse, a depois continuou: - Zackary, a tia do sr. McEwen cuida do chalé para... para seus amigos. Ele estava... preocupado comigo sozinha aqui.
- Escutei quando descia as escadas. Mas posso garantir que você está perfeitamente segura, mi amore. - Zac estava sorrindo. - Você tem uma longa caminhada, amigo - ele acrescentou.
- Ah, sim. - Ele hesitou. -Achei que fosse querer o jornal de domingo, srta... er, sra...
- Condessa - Zac completou.
Angus balançou a cabeça e entregou o jornal.
- E anunciaram no rádio que o tempo vai piorar. Achei que talvez devesse avisar.
Por um momento eles observaram a caminhada difícil de Angus, mas depois Zac levou Vane de volta para dentro do chalé.
- O que foi isso? - Ela virou-se para ele irritada. - Por que não coloca um cartaz escrito em letras enormes "ELA É MINHA"?
- Não será necessário. Ele entendeu a mensagem. Sinto pela decepção - ele acrescentou. - Mas o exercício vai lhe fazer bem.
- Ele veio até aqui para ajudar - ela protestou. -Você não acredita que alguém possa fazer isso por gentileza?
-Acho pouco provável. - Zac seguiu-a até a cozinha. - Um homem andar tanto, e com um tempo desses, apenas para ver uma garota bonita sem a esperança de uma recompensa? Nunca!
- Talvez você não devesse julgar outros homens baseado em seus padrões duvidosos, signore.
- Você não acha que eu posso ser gentil?
- Se quisesse ser gentil, teria ficado longe. - Vane colocou o café na cafeteira, depois perguntou: - Você quer algo para comer?
Zac deu uma gargalhada.
- Você é uma garota de contradições, cara. Não é melhor me deixar morrer de fome?
- Sim - ela disse. - Mas ter de lidar com um cadáver não seria prático. - Ela hesitou novamente. -Ovos com torrada, talvez. E, para mais tarde, pensei em assar um frango, se estiver bom para você.
- Mas claro que está. - Ele ficou em silêncio.
- Então temos a tarde inteira disponível... Como podemos ocupá-la?
- Podia começar vestindo uma roupa - Vane sugeriu.
- Talvez. Ou talvez pudesse convencer você a tirar as suas.
- Não! - Ela olhou para ele furiosa. - E isso não é uma brincadeira. E se você me forçar, fujo daqui. Que se dane a neve. Prefiro congelar a me sentir rebaixada dessa maneira.
- Me surpreende o fato de você achar rebaixante a idéia de se despir em frente a um homem, Vanessa.
- Ele acrescentou, sarcástico. - Lembro-me de uma época em que você parecia ansiosa para fazer isso.
Mas está errado. Porque eu nunca quis, nem com Simon...
Em voz alta, ela disse:
- Era com o homem que eu amava, signore. Não com você. E quero que isso fique claro. E estávamos no meio da noite.
Houve um silêncio tenso e depois Zac sacudiu os ombros.
- Muito bem, porque ainda é dia. Mas as noites serão minhas. Combinado? - Ele virou-se. - E para demonstrar minha boa-fé, vou me vestir.
Ela disse em uma voz falsamente animada:
- Vou esperar você com o café-da-manhã.
- Grazie. Você está se tornando uma esposa maravilhosa, caríssima mia - ele acrescentou. E saiu.
Vane encostou-se na pia. Ele permitiu que ela ganhasse, ela pensou trêmula. Mas era um triunfo sem importância diante da guerra que havia entre eles.
Além disso, ele deixara claro que queria a vitória final. Que nada mais serviria.
Mas eu não vou deixar que isso aconteça. N-Não posso... Porque mudaria minha vida para sempre. E, no entanto, assim que eu deixar de ser novidade, ele vai me abandonar.
Mas não era exatamente isso que queria, que ele fosse embora?, ela perguntou a si mesma, desesperada. E não conseguiu encontrar uma resposta.
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